Para além do acesso: mulheres brasileiras racializadas e saúde mental em Portugal

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17267/2317-3394rpds.2026.e6637

Palavras-chave:

Estresse Psicológico, Racismo, Competência Cultural, Discriminação Social, Psicoterapia

Resumo

INTRODUÇÃO: O fluxo migratório de mulheres brasileiras para Portugal tem se intensificado nas últimas décadas, impulsionado por expectativas de segurança, estabilidade e melhores condições de vida. No entanto, a realidade vivida muitas vezes contrasta com essas expectativas, sendo marcada por precarização laboral, racismo institucional e exclusão social, fatores que geram sofrimento psíquico e motivam a busca por apoio psicológico. OBJETIVO: Compreender como mulheres brasileiras racializadas experienciam a busca e o recebimento de apoio psicológico em Portugal, considerando os marcadores sociais da diferença, como gênero, raça, classe e nacionalidade. MÉTODO: Este estudo qualitativo, fundamentado no feminismo interseccional e decolonial e no construcionismo social, realizou quinze entrevistas semiestruturadas com mulheres imigrantes que buscaram acompanhamento psicológico após a migração. Os dados foram analisados através de análise temática reflexiva. RESULTADOS: A análise revelou que a busca por cuidado emerge como resposta a um sofrimento estrutural, provocado pelo descompasso entre expectativas de acolhimento e vivências de discriminação, solidão e instabilidade. As participantes enfrentaram múltiplas barreiras de acesso financeiras, burocráticas e simbólicas, que evidenciam a permanência de hierarquias coloniais nos serviços de saúde mental. No contexto terapêutico, a ausência de competências multiculturais resultou em experiências de silenciamento, incompreensão e revitimização. Como contraponto, emergem estratégias criativas de resistência, como o atendimento online com profissionais brasileiras/os e a articulação com redes comunitárias de cuidado. CONCLUSÃO: O estudo contribui para os debates contemporâneos sobre migração, saúde mental e interseccionalidade, reforçando a urgência de políticas públicas e práticas clínicas culturalmente responsivas, comprometidas com a justiça social, a ética do cuidado e a descolonização da psicologia.

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Referências

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Publicado

12.06.2026

Edição

Seção

Artigos Originais

Como Citar

Pinheiro, I., Rusu, M. H., Nogueira, C., & Topa, J. (2026). Para além do acesso: mulheres brasileiras racializadas e saúde mental em Portugal. Revista Psicologia, Diversidade E Saúde, 15, e6637. https://doi.org/10.17267/2317-3394rpds.2026.e6637