Desfechos clínicos de pacientes neurológicos com e sem ventilação mecânica prolongada

Autores

  • Lucas Lima Ferreira União das Faculdades dos Grandes Lagos (São José do Rio Preto), São Paulo, Brasil. http://orcid.org/0000-0002-7501-9828
  • Anna Carolina Macedo Sousa Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (São José do Rio Preto). São Paulo, Brasil. http://orcid.org/0000-0002-4413-4719
  • Lilian Cristina Ascencio Sanchez Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (São José do Rio Preto). São Paulo, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-9550-7749

DOI:

https://doi.org/10.17267/2238-2704rpf.v11i4.4025

Palavras-chave:

Respiração Artificial, . Unidades de Terapia Intensiva., Desmame do Respirador.

Resumo

INTRODUÇÃO: Pacientes com doenças neurológicas sob ventilação mecânica (VM) apresentam maior risco de VM prolongada (VMP) devido ao rebaixamento do nível de consciência, padrões respiratórios anormais e incapacidade de proteção de vias aéreas causados pela lesão neurológica. OBJETIVO: Comparar desfechos clínicos de pacientes neurológicos com ou sem VMP. MATERIAIS E MÉTODOS: Tratou-se de um estudo observacional documental retrospectivo, realizado na UTI neurológica de um hospital escola. Foram coletados: idade, sexo, patologia que motivou a internação, presença de comorbidades, valor do simplified acute physiology score (SAPS III), incidência de VMP, tempo de permanência em VM, tempo de permanência na UTI e desfecho alta ou óbito na unidade. Os pacientes foram divididos em dois grupos, de acordo com a duração da VM: o grupo VMP e o grupo sem VMP. RESULTADOS: Foram incluídos 212 pacientes. O diagnóstico mais prevalente no grupo VMP foi a ressecção de tumor cerebral (27,5%) e no grupo sem VMP foi o traumatismo cranioencefálico (18%). Verificou-se que 10% desses evoluíram para VMP, houve prevalência do sexo masculino em ambos os grupos. O grupo VMP apresentou escore SAPS III significativamente maior (p=0,003) que o grupo sem VMP. O grupo VMP permaneceu tempo, em dias, significativamente maior (p<0,0001) em VM e em internação na UTI que o grupo sem VMP. Não houve diferença significativa (p=1,00) no desfecho alta ou óbito da UTI entre os grupos com e sem VMP. CONCLUSÃO: O grupo de pacientes sob VMP esteve mais tempo em suporte ventilatório invasivo e permaneceu mais tempo internado na UTI que o grupo sem VMP. Não houve diferenças estatísticas no desfecho mortalidade na UTI.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Santos CD, Nascimento ERPD, Hermida PMV, Silva TG, Galetto SGDS, Silva NJCD, et al. Good nursing practices towards patients on invasive mechanical ventilation in hospital emergency. Esc Anna Nery. 2020;24(2):1-7. https://doi.org/10.1590/2177-9465-EAN-2019-0300

Kutchak FM, Debesaitys AM, Rieder MDM, Meneguzzi C, Skueresky AS, Forgiarini-Junior LA, et al. Reflex cough PEF as a predictor of successful extubation in neurological patients. J Bras Pneumol. 2015;41(4):358-64. https://doi.org/10.1590/S1806-37132015000004453

MacIntyre NR, Epstein SK, Carson S, Scheinhorm D, Christopher K, Muldoon S, et al. Management of patients requiring prolonged mechanical ventilation: report of a NAMDRC consensus conference. Chest. 2005;128(6):3937-54. https://doi.org/10.1378/chest.128.6.3937

Muzaffar SN, Gurjar M, Baronia AK, Azim A, Mishra P, Poddar B. Predictors and pattern of weaning and long-term outcome of patients with prolonged mechanical ventilation at an acute intensive care unit in North India. Rev Bras ter intensiva [Internet]. 2017;29(1):23-33. Available from: https://www.scielo.br/j/rbti/a/3JLV5hPw4mdRFyVDsRtz49S/?lang=pt

Loss SH, Oliveira RP, Maccari JG, Savi A, Boniatti MM, Hetzel MP, et al. The reality of patients requiring prolonged mechanical ventilation: a multicenter study. Rev Bras Ter Intensiva. 2015;27(1):26-35. https://doi.org/10.5935/0103-507X.20150006

Chelluri L, Im KA, Belle SH, Schulz R, Rotondi AJ, Donahoe MP, et al. Long-term mortality and quality of life after prolonged mechanical ventilation. Crit Care Med. 2004;32(1):61-9. https://doi.org/10.1097/01.CCM.0000098029.65347.F9

Sun Y, Li S, Wang S, Li C, Li G, Xu J, et al. Predictors of 1-year mortality in patients on prolonged mechanical ventilation after surgery in intensive care unit: a multicenter, retrospective cohort study. BMC Anesthesiol. 2020;20(1):44. https://doi.org/10.1186/s12871-020-0942-0

MacIntyre NR, Epstein SK, Carson S, Scheinhorn D, Christopher K, Muldoon S. Management of patients requiring prolonged mechanical ventilation: report of a NAMDRC consensus conference. Chest. 2005;128(6):3937-54. https://doi.org/10.1378/chest.128.6.3937

Gracey DR, Hardy DC, Koenig GE. The chronic ventilator-dependent unit: a lower-cost alternative to intensive care. Mayo Clin Proc. 2000;75(5):445-9. https://doi.org/10.4065/75.5.445

Bureau of Data Management and Strategy. 100% MEDPAR inpatient hospital fiscal year 1998, 6/99 update. United States Health Care Finance Administration. Washington, DC: US Government Printing Office; 1999.

Gutiérrez EP, Díaz JSS, Hernandez RF, Rodriguez EAM, Peniche KG, Gutiérrez SPD, et al. Los predictores en el retiro de la ventilación mecánica resultan suficientes para el paciente neurocrítico? Med Int México. 2017;33(5):675-91. https://doi.org/10.24245/mim.v33i5.1561

Sousa ACM, Sanchez LCA, Ferreira LL. Clinical outcomes of patients undergoing invasive mechanical ventilation in a neurosurgical ICU. ASSOBRAFIR Ciênc. 2021;12:e42286. https://doi.org/10.47066/2177-9333.AC.2020.0021

Piotto RF, Ferreira FB, Colósimo FC, Silva GS, Sousa AG, Braile DM. Independent predictors of prolonged mechanical ventilation after coronary artery bypass surgery. Rev Bras Cir Cardiovasc [Internet]. 2012;27(4):520-8. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbccv/a/xcJHcfcPJKQwncnWrqdBcWD/?format=pdf&lang=en

Silva Júnior JM, Malbouisson LMS, Nuevo HL, Barbosa LGT, Maruabayeshi LY, Teixeira IC, et al. Applicability of the simplified acute physiology score (SAPS 3) in Brazilian hospitals. Rev Bras Anestesiol. 2010;60(1):20-31. https://doi.org/10.1590/S0034-70942010000100003

Le Gall JR, Loirat P, Alperovitch A, Glaser P, Granthil C, Mathieu D, et al. A simplified acute physiology score for ICU patients. Crit Care Med. 1984;12(11):975-7. https://doi.org/10.1097/00003246-198411000-00012

Damuth E, Mitchell JA, Bartock JL, Roberts BW, Trzeciak S. Long-term survival of critically ill patients treated with prolonged mechanical ventilation: a systemic review and meta-analysis. Lancet Respir Med. 2015;3(7):544-53. https://doi.org/10.1016/S2213-2600(15)00150-2

Lone NI, Walsh TS. Prolonged mechanical ventilation in critically ill patients: epidemiology, outcomes and modelling the potential cost consequences of establishing a regional weaning unit. Crit Care. 2011;15(2):R102. https://doi.org/10.1186/cc10117

Estenssoro E, González F, Laffaire E, Canales H, Sáenz G, Reina R, et al. Shock on admission day is the best predictor of prolonged mechanical ventilation in the ICU. Chest. 2005;127(2):598-603. https://doi.org/10.1378/chest.127.2.598

Rish MA, Kashyap R, Wilson G, Schenck L, Hocker S. Association of extubation failure and functional outcomes in patients with acute neurologic illness. Neurocrit Care. 2016;24(6):217-25. https://doi.org/10.1007/s12028-015-0156-3

Scheinhorn DJ, Hassenpflug MS, Votto JJ, Chao DC, Epstein SK, et al. Post-ICU mechanical ventilation at 23 long-term care hospitals: a multicenter outcomes study. Chest. 2007;131(1):85-93. https://doi.org/10.1378/chest.06-1081

Scheinhorn DJ, Hassenpflug MS, Votto JJ, Chao DC, Epstein SK, Doig GS, et al. Ventilator-dependent survivors of catastrophic illness transferred to 23 long-term care hospitals for weaning from prolonged mechanical ventilation. Chest. 2007;131(1):76-84. https://doi.org/10.1378/chest.06-1079

Bigatello LM, Stelfox HT, Berra L, Schmidt U, Gettings EM. Outcome of patients undergoing prolonged mechanical ventilation after critical illness. Crit Care Med. 2007;35(11):2491-7. https://doi.org/10.1097/01.CCM.0000287589.16724.B2

Huang CT, Yu CJ. Conventional weaning parameters do not predict extubation outcome in intubated subjects requiring prolonged mechanical ventilation. Respir Care. 2013;58(8):1307-14. https://doi.org/10.4187/respcare.01773

Jubran A, Grant BJ, Duffner LA, Collins EG, Lanuza DM, Hoffman LA, et al. Effect of pressure support vs unassisted breathing through a tracheostomy collar on weaning duration in patients requiring prolonged mechanical ventilation: a randomized trial. JAMA. 2013;309(7):671-7. https://doi.org/10.1001/jama.2013.159

Robertson TE, Sona C, Schallom L, Buckles M, Cracchiolo L, Schuerer D, et al. Improved extubation rates and earlier liberation from mechanical ventilation with implementation of a daily spontaneous-breathing trial protocol. J Am Coll Surg. 2008;206(3):489-95. https://doi.org/10.1016/j.jamcollsurg.2007.08.022

Publicado

2021-10-22

Como Citar

Ferreira, L. L., Sousa, A. C. M., & Sanchez, L. C. A. (2021). Desfechos clínicos de pacientes neurológicos com e sem ventilação mecânica prolongada. Revista Pesquisa Em Fisioterapia, 11(4), 671–678. https://doi.org/10.17267/2238-2704rpf.v11i4.4025

Edição

Seção

Artigos Originais