Lesões autoprovocadas intencionalmente no Brasil: panorama de 2011 a 2022

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17267/2317-3378rec.2026.e6262

Palavras-chave:

Tentativa de Suicídio, Ideação Suicida, Suicídio, Saúde Mental, Epidemiologia

Resumo

OBJETIVO: Analisar o perfil sociodemográfico das notificações por lesões autoprovocadas intencionalmente no Brasil, de 2011 a 2022. MÉTODO: Estudo descritivo a partir de dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). A análise incluiu variáveis como ano, região, faixa etária, sexo, raça/cor, escolaridade e local de ocorrência. RESULTADOS: Entre 2011 e 2022, as notificações de lesões autoprovocadas totalizaram 827.659 e cresceram 373,5% (n=827.659) no Brasil, com 47,90% dos casos na região Sudeste, especialmente em São Paulo (24,17%). Adultos (41,80%) e adolescentes (24,41%) são os mais afetados, sendo 69,04% mulheres. A maioria das notificações (46,60%) envolve pessoas brancas, com 16,27% tendo ensino médio completo, ocorrendo em residências (82,43%). CONCLUSÃO: Os dados revelam um aumento expressivo das notificações, com variações por macrorregiões, faixa etária e sexo. Esses achados reforçam a necessidade de estratégias de prevenção e intervenção direcionadas às populações mais vulneráveis.

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Publicado

10.04.2026

Edição

Seção

Artigos Originais

Como Citar

1.
Correia CM, Junquilho LS, Barbosa P dos RP, Rodrigues GRS. Lesões autoprovocadas intencionalmente no Brasil: panorama de 2011 a 2022. Rev Enf Contemp [Internet]. 10º de abril de 2026 [citado 15º de abril de 2026];15:e6262. Disponível em: https://www5.bahiana.edu.br/index.php/enfermagem/article/view/6262