Experiências de gestantes e puérperas privadas de liberdade sobre o ciclo gravídico puerperal na prisão: estudo qualitativo
DOI:
https://doi.org/10.17267/2317-3394rpds.2025.e5976Palavras-chave:
Gestante, Puérpera, Cárcere, Penitenciária, Pessoa Privada de LiberdadeResumo
INTRODUÇÃO: O acompanhamento adequado de gestantes é um direito garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas no contexto prisional, onde o ambiente é hostil e inadequado para gestantes, muitas mulheres sofrem com a falta de assistência e violação de seus direitos. OBJETIVO: Descrever a assistência oferecida às gestantes e puérperas privadas de liberdade durante a gestação, parto e puerpério, destacando os desafios enfrentados nesse contexto. MÉTODO: Trata-se de um estudo qualitativo realizado em julho de 2024 baseado em narrativas de gestantes e puérperas encarceradas em uma penitenciária de São Paulo. Foram realizadas entrevistas gravadas com 40 minutos de duração, utilizando um questionário estruturado. A análise dos dados foi feita por meio da técnica de análise de conteúdo de Bardin, utilizando o software ATLAS.ti. RESULTADOS: O estudo revelou que a maioria das mulheres iniciou o pré-natal de forma tardia devido à falta de acesso aos serviços de saúde ou desconhecimento da gravidez. A assistência oferecida foi limitada, com falhas no acompanhamento médico e na orientação sobre o parto. As entrevistadas relataram sentimentos de abandono, e poucas receberam informações adequadas sobre sinais de risco ou amamentação. CONCLUSÃO: O sistema prisional não oferece condições adequadas para o cuidado de gestantes e puérperas. A falta de suporte, tanto físico quanto emocional, evidencia a necessidade urgente de reformulação das políticas públicas para garantir um atendimento mais humanizado e eficaz às mulheres encarceradas.
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