A relação entre linguagem e práticas pseudocientíficas
DOI:
https://doi.org/10.17267/2675-021Xevidence.2023.e4970Palavras-chave:
Pseudociências, Análise do Discurso, LinguagemResumo
INTRODUÇÃO: A Análise do Discurso tem demonstrado que a neutralidade é algo inexistente na língua. Cada escolha lexical não é aleatória e, dentro de cada escolha, há uma diversidade de possibilidades de intenções, colocações e interpretações. Cultura, hábitos, crenças e todo o conjunto de características que compõe uma sociedade influenciam a construção da língua. Em uma sociedade na qual a ciência e o método científico estejam sendo subestimados ou ignorados, enquanto práticas pseudocientíficas são valorizadas, é esperado que haja um reflexo disso na linguagem. OBJETIVO: Discutir o impacto da linguagem e das escolhas lexicais na aparência de legitimidade científica de práticas pseudocientíficas. METODOLOGIA: Neste estudo, utilizamos ferramentas da linguística associadas ao pensamento científico para identificar de que forma as pseudociências podem se beneficiar da linguagem para aumentar sua credibilidade, com foco no uso de afixos. RESULTADOS: Falantes de uma língua possuem intuições sobre as regras formativas e significados relacionados aos afixos, mesmo sem estudarem formalmente as construções linguísticas ou epistemologia. Nesse sentido, práticas pseudocientíficas podem se beneficiar da aparência de legitimidade científica conferida pela percepção etimológica popular de sufixos e prefixos comumente empregados para designar áreas ou subáreas de estudos acadêmico-científicos. CONCLUSÃO: As palavras e afixos utilizados na linguagem científica não possuem definições precisas e inequívocas, mas sim, estão sujeitos a interpretações variadas e conflitantes. Diante dessa vulnerabilidade, a linguagem, como reflexo da sociedade em que estamos inseridos, pode limitar nossa capacidade de tomada de decisões racionais em relação à saúde.
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