Artigo original
Prevalência de dor crônica em diferentes regiões da coluna e associação com fatores biopsicossociais em universitários: um estudo transversal / Prevalence of chronic pain in different regions of the spine and association with biopsychosocial factors in university students: a cross-sectional study
Francisco Valter Miranda Silva1 (https://orcid.org/0009-0001-9647-3464)
Ana Valeska Siebra e Silva2 (https://orcid.org/0000-0003-3664-5073)
Amanda de Oliveira Toledo3 (https://orcid.org/0000-0002-4104-5825)
Shamyr Sulyvan de Castro4 (https://orcid.org/0000-0002-2661-7899)
Daniela Gardano Bucharles Mont'Alverne5 (https://orcid.org/0000-0002-9739-6878)
Lanna Rafaela do Nascimento Macedo6 (https://orcid.org/0009-0006-3887-7440)
Paula Pessoa de Brito Nunes7 (https://orcid.org/0000-0002-7462-0494)
Ana Paula Vasconcellos Abdon8 (https://orcid.org/0000-0002-1597-1817)
1Contato para correspondência. Universidade Estadual do Ceará (Fortaleza). Ceará, Brasil. [email protected]
2Universidade Estadual do Ceará (Fortaleza). Ceará, Brasil.
4,5Universidade Federal do Ceará (Fortaleza). Ceará, Brasil.
3,6-8Universidade de Fortaleza (Fortaleza). Ceará, Brasil.
RESUMO | FUNDAMENTOS: Apesar do aumento dos estudos sobre dor crônica na coluna, ainda são limitadas as pesquisas que avaliam simultaneamente diferentes regiões vertebrais sob uma perspectiva biopsicossocial em estudantes universitários, sendo necessária uma abordagem integrada para orientar estratégias preventivas nessa população. OBJETIVO: Analisar a prevalência de dor crônica em diferentes regiões da coluna e associação com fatores biopsicossociais em universitários. MÉTODOS: Trata-se de uma pesquisa transversal e analítica com 358 universitários, foram inclusos adultos (18 e 59 anos), independente do gênero, matriculados nos cursos de graduação das áreas de saúde e tecnologia de duas instituições de ensino superior no Nordeste do Brasil, sendo os dados coletados por meio de questionário online contendo instrumentos: questionário socioeconômico, avaliação geral de saúde, estilo de vida, Self-Report Questionnaire, Nordic Musculoskeletal Questionnaire, International Physical Activity Questionnaire e Pittsburgh Sleep Quality Index. Na análise estatística aplicou-se o teste de Qui-quadrado de Pearson e regressão logística pelo método stepwise forward. RESULTADOS: Os participantes tinham média de idade de 22 anos (±4,5), sendo 57,5% do sexo feminino. A prevalência de dor cervical foi de 69,0%, superior à lombar (55,3%). A dor cervical crônica apresentou associação com suspeita de transtorno mental comum (TMC) (OR = 2,38; p = 0,001), e a dor lombar com TMC (OR = 1,66; p = 0,038) e ser fisicamente ativo (OR = 2,08; p = 0,017). CONCLUSÃO: Há elevada prevalência de dor crônica na coluna, principalmente na região cervical. A dor na coluna esteve significativamente associada a fatores psicossociais e maior nível de atividade física, enfatizando a importância de abordar esses fatores em intervenções preventivas.
PALAVRAS-CHAVE: Cervicalgia. Dor Lombar. Dor Crônica. Modelos Biopsicossociais. Estudos Transversais.
ABSTRACT | BACKGROUND: Despite the increase in studies on chronic back pain, there is still limited research that simultaneously evaluates different vertebral regions from a biopsychosocial perspective in university students, and an integrated approach is needed to guide preventive strategies in this population. OBJECTIVE: To analyze the prevalence of chronic pain in different regions of the spine and its association with biopsychosocial factors in university students. METHODS: This is a cross-sectional and analytical research with 358 university students, including adults (18 and 59 years old), regardless of gender, enrolled in undergraduate courses in the areas of health and technology of two higher education institutions in the Northeast of Brazil, and the data were collected through an online questionnaire containing instruments: socioeconomic questionnaire, general health assessment, lifestyle, Self-Report Questionnaire, Nordic Musculoskeletal Questionnaire, International Physical Activity Questionnaire and Pittsburgh Sleep Quality Index. Statistical analysis was performed using Pearson's chi-square test and logistic regression using the stepwise forward method. RESULTS: The participants had a mean age of 22 years (±4.5), and 57.5% were female. The prevalence of neck pain was 69.0%, higher than lumbar pain (55.3%). Chronic neck pain was associated with suspected common mental disorder (CMD) (OR=2.38; p=0.001), and low back pain with CMD (OR=1.66; p=0.038) and being physically active (OR=2.08; p=0.017). CONCLUSION: There is a high prevalence of chronic back pain, especially in the cervical region. Back pain was significantly associated with psychosocial factors and higher levels of physical activity, emphasizing the importance of addressing these factors in preventive interventions.
KEYWORDS: Neck Pain. Low Back Pain. Chronic Pain. Models, Biopsychosocial. Cross-Sectional Studies.
Como citar este artigo: Silva FVM, Silva AVS, Toledo AO, Castro SS, Mont'Alverne DGB, Macedo LRN, et al. Prevalência de dor crônica em diferentes regiões da coluna e associação com fatores biopsicossociais em universitários: um estudo transversal. Rev Pesqui Fisioter. 2026;16:e6508. https://doi.org/10.17267/2238-2704rpf.2026.e6508
Submetido 13 out. 2025, Aceito 27 fev. 2026, Publicado 16 abr. 2026
Rev. Pesqui. Fisioter., Salvador, 2026;16:e6508
https://doi.org/10.17267/2238-2704rpf.2026.e6508
ISSN: 2238-2704
Editor responsável: Bruno Goes
1. Introdução
A dor crônica coluna nas regiões lombar e cervical é uma condição altamente prevalente, com impacto significativo tanto na qualidade de vida quanto nos sistemas de saúde1. Caracteriza-se pela sua persistência e por uma experiência individual complexa, influenciada por fatores biológicos, psicológicos e sociais2. Esse quadro pode resultar em comprometimento funcional, aumento da sobrecarga econômica devido aos altos custos dos serviços de saúde e elevados índices de absenteísmo3.
Globalmente, a dor cervical afeta mais de 30% da população com uma taxa de 2.450 casos por 100.000 habitantes, variando entre países e regiões4. Já a dor lombar acomete mais de 619 milhões de pessoas globalmente, com projeção de aumento superior a 200 milhões de casos até 20505. No Brasil, a prevalência de dor crônica na coluna é de 21,6%, com tendência de crescimento conforme a idade avança, sendo mais frequente em adultos entre 25 e 44 anos6. Embora essa queixa seja predominante nessa faixa etária, nos últimos anos observa-se um aumento significativo da prevalência de dores cervical e lombar em estudantes universitários7. Esse aumento está associado a diversos fatores, como a manutenção da posição sentada por longos períodos e uso excessivo de dispositivos eletrônicos8.
Evidências científicas consideram esses fatores de risco para a persistência e o aumento da incidência de dores na coluna nessa população. Além disso, a má qualidade do sono, a inatividade física e questões psicológicas, incluindo ansiedade e depressão, contribuem para o desenvolvimento e o aumento da percepção da dor. A privação do sono emerge como um fator de risco significativo para o desenvolvimento e a exacerbação de dores cervicais e lombares, evidenciando uma relação bidirecional com a presença de dor crônica. Isso ocorre devido ao aumento da liberação de citocinas inflamatórias, que, por sua vez, sensibilizam os nociceptores, intensificando a percepção da dor9.
Os fatores psicológicos também exercem influência significativa nesse processo, uma vez que níveis elevados de estresse, ansiedade e depressão estão associados a maior incapacidade funcional, pior desempenho acadêmico e maior impacto da dor na vida diária7. A interação entre esses fatores pode levar a uma hipervigilância em relação à dor, intensificando sua percepção e dificultando a adaptação do indivíduo à condição dolorosa. Esse processo pode resultar em maior disfunção, limitação nas atividades diárias e um impacto significativo na qualidade de vida dos estudantes universitários2.
A inatividade física, por sua vez, pode estar relacionada com a presença de quadro álgico devido ao comprometimento da estabilidade da coluna vertebral, resultando em desconforto e dor nessas regiões. A diminuição da capacidade muscular, juntamente com a ausência da liberação de substâncias endógenas que modulam a percepção da dor, intensifica o quadro álgico e prejudica a funcionalidade dos estudantes10.
Apesar do crescente número de estudos investigando a dor crônica nas regiões cervical e lombar, ainda permanecem limitações importantes na compreensão da influência simultânea de múltiplos fatores de saúde sobre a ocorrência dessas condições em estudantes universitários9. A literatura existente tem, em grande parte, analisado regiões específicas da coluna ou fatores isolados de risco, o que dificulta a compreensão da natureza multifatorial da dor musculoesquelética nessa população. Estudos recentes indicam que universitários apresentam elevada exposição a fatores potencialmente associados à dor, incluindo longos períodos em posição sentada, uso prolongado de dispositivos eletrônicos, elevada demanda cognitiva, estresse acadêmico e alterações nos padrões de sono, condições que podem atuar de forma interdependente no desenvolvimento e na manutenção da dor crônica7.
Além disso, são escassas as investigações que avaliam simultaneamente diferentes regiões da coluna vertebral sob uma perspectiva biopsicossocial integrada, considerando conjuntamente fatores físicos, comportamentais e psicológicos. Essa limitação reduz a capacidade de identificar perfis de risco mais abrangentes e restringe o desenvolvimento de estratégias preventivas direcionadas às necessidades específicas de adultos jovens inseridos no contexto acadêmico11,12.
Diante desse cenário, torna-se relevante investigar de forma integrada a prevalência de dor crônica em diferentes regiões da coluna e sua associação com fatores biopsicossociais em estudantes universitários, população em fase de transição para a vida adulta e particularmente vulnerável a mudanças no estilo de vida e à sobrecarga acadêmica13. Ao ampliar a compreensão dos determinantes associados à dor musculoesquelética nesse grupo, o presente estudo busca contribuir para o fortalecimento da base de evidências necessária ao planejamento de intervenções preventivas e ações de promoção da saúde física e mental no ambiente universitário.
Isto posto, objetivou-se analisar a prevalência de dor crônica em diferentes regiões da coluna e associação com fatores biopsicossociais em universitários.
2. Métodos
Trata-se de um estudo transversal analítico, derivado de uma pesquisa mais ampla, intitulada “Uso do smartphone e fatores associados em universitários pós-distanciamento social rígido durante a pandemia da Covid-19”. A pesquisa foi conduzida em duas instituições de referência em ensino superior (IES) situadas na cidade de Fortaleza, no estado do Ceará, Brasil, sendo uma IES privada e outra pública. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas em Seres Humanos das instituições participantes, com pareceres de nº 5.526.758 e nº 5.739.427, todos os participantes deram seu consentimento mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O período de coleta ocorreu entre setembro e dezembro de 2022.
A população do estudo foi
composta por universitários dos cursos de graduação dos Centro de Ciências da
Saúde (CCS) e do Centro de Ciências e Tecnologia (CCT) das instituições
supracitadas. Para o cálculo amostral a fórmula
para estudos transversais14,
considerando uma população finita (N) de 12.677 universitários matriculados no
ano de 2021 no CCS e CCT das instituições, desvio padrão (σ) de 3,2 h na
variável tempo de uso do smartphone, margem de erro (E) de 20 min
(0,33h)15 e intervalo de confiança de 95%. Os critérios de inclusão
foram: idades entre 18 e 59 anos), independente do gênero, matriculados em um
dos centros escolhidos das duas instituições participantes. Foram excluídos
aqueles que se ausentaram das aulas por licença saúde ou por trancamento de
matrícula, além dos universitários com deficiência visual pela não
adaptabilidade do instrumento de coleta utilizado no estudo.
O recrutamento se deu por meio de convite direto e pessoal aos universitários nos recintos das instituições selecionadas, por uma equipe coleta devidamente treinada. Após uma triagem inicial para verificação dos critérios de inclusão e exclusão, foi explicado os objetivos, riscos e benefícios da pesquisa. Ao final, foi questionado se o estudante universitário tinha interesse em participar da pesquisa, e no caso afirmativo era convidado a acessar um formulário eletrônico por um QR Code. O tempo médio para completar a pesquisa foi de aproximadamente 30 minutos.
A coleta dos dados foi realizada mediante o preenchimento de um instrumento desenvolvido no aplicativo Google Forms. O formulário online incluiu, em sua primeira página, um convite que recapitulou todas as orientações fornecidas pela equipe responsável pela coleta, referentes à pesquisa, juntamente com o acesso ao TCLE.
O formulário online continha os seguintes instrumentos: questionário socioeconômico, avaliação geral de saúde, estilo de vida, Self-Report Questionnaire (SRQ-20), Nordic Musculoskeletal Questionnaire (NMQ), International Physical Activity Questionnaire (IPAQ) e Pittsburgh Sleep Quality Index (PSQI-BR).
O primeiro instrumento abrangeu dados sociodemográficos (como idade, gênero, autodeclaração de cor, classe social, instituição de estudo e área de graduação), avaliação geral da saúde e estilo de vida (tabagismo e consumo de álcool). O SRQ-20, versão brasileira, foi utilizado par investigar a suspeita de Transtorno Mental Comum (TMC) possui 20 questões dicotômicas, a pontuação é obtida pela soma das respostas. Neste estudo, o ponto de corte adotado para suspeita de TMC foi de oito, independente do sexo e fundamentado em outros estudos no Brasil16.
A presença de dores musculoesqueléticas foi avaliada pelo NMQ, foi criado para questionário adaptado e validado transculturalmente que apresenta uma figura humana dividida em nove regiões anatômicas, como cervical, ombros, torácica, cotovelos, punhos/mãos, lombar, quadris/coxas, joelhos e tornozelos/pés. O instrumento usa escolhas binárias para cada área, questionando se os entrevistados tiveram dores nos últimos doze meses e sete dias17. Foi utilizada a Escala Visual Analógica (EVA) junto ao NMQ para medir a intensidade da dor numa régua de 0 a 1018. No presente estudo, somente as informações referentes a dor cervical e lombar nos últimos 12 meses foram analisadas, o que caracteriza dor crônica segunda a nova classificação de dor definida pela International Association for the Study of Pain (IASP)2.
O nível de atividade física e o comportamento sedentário foram avaliados por meio do IPAQ, validado para uso no Brasil, cuja versão curta contém oito questões abertas que estimam o tempo semanal dedicado às atividades físicas e ao tempo sentado. Os participantes foram inicialmente classificados como ativos (>150 min/semana), irregularmente ativos (10–150 min/semana) ou sedentários (<10 min/semana), sendo posteriormente categorizados em ativos e não ativos (irregularmente ativos e sedentários), além do cálculo da média e desvio padrão do tempo sentado19–21. A qualidade do sono foi avaliada pelo PSQI-BR, instrumento validado para o português composto por 19 questões autoaplicáveis, com escore total variando de 0 a 21 pontos, no qual valores ≤5 indicam boa qualidade do sono e >5 indicam qualidade de sono ruim22.
Para reduzir potenciais vieses, adotou-se recrutamento em diferentes cursos e turnos acadêmicos, utilização de instrumentos validados e aplicação de questionário eletrônico anônimo, minimizando vieses de seleção e informação, bem como possíveis respostas influenciadas por constrangimento. Possíveis fatores de confusão foram controlados por meio da inclusão de variáveis teoricamente relevantes9 e com p < 0,20 nos modelos de regressão logística múltipla.
A análise estatística foi realizada utilizando o software IBM® SPSS Statistics, versão 23.0. Inicialmente, foi avaliada a distribuição das variáveis numéricas por meio do teste de normalidade de Kolmogorov–Smirnov (KS). Variáveis com distribuição normal foram descritas como média ± desvio padrão (DP), enquanto as variáveis categóricas foram apresentadas por frequências absolutas (n) e relativas (%). Para comparação entre médias, aplicou-se o teste t de Student para amostras independentes, conforme pressuposto de normalidade previamente verificado.
Na análise bivariada, utilizou-se o teste do Qui-quadrado de Pearson para investigar a associação entre os desfechos dor cervical crônica e dor lombar crônica (nos últimos 12 meses) e as variáveis socioeconômicas, de estilo de vida, saúde mental e qualidade do sono. As medidas de efeito foram estimadas por meio do odds ratio (OR) bruto e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC 95%), calculados a partir dos coeficientes obtidos nos modelos de regressão logística binária simples.
As variáveis que apresentaram valor de p < 0,20 na análise bivariada, bem como aquelas consideradas relevantes com base em plausibilidade teórica (sexo e idade), foram incluídas como candidatas nos modelos múltiplos de regressão logística. A construção do modelo final foi realizada pelo método stepwise forward, com inclusão progressiva das variáveis conforme significância estatística e contribuição ao ajuste do modelo. Os resultados foram expressos em odds ratio ajustados (OR) e respectivos IC 95%, obtidos pela exponenciação dos coeficientes β da regressão logística. O ajuste e a qualidade dos modelos foram avaliados pelo teste de Hosmer–Lemeshow, pelo coeficiente de determinação pseudo-R² de Nagelkerke e pela acurácia global da classificação preditiva. Adotou-se nível de significância estatística de 5% (p < 0,05).
3. Resultados
No que se refere às dores crônicas na coluna, a maior prevalência foi na região cervical (69,0%; n = 247) quando comparada a coluna lombar (55,3%; n = 198). No entanto, apesar da maior prevalência na região cervical, média de intensidade da dor foi maior na região lombar com 4,6 (± 2,6). Ademais, a queixa de Dor nas regiões cervical e lombar simultaneamente foi de 44,1% relatada entre os universitários (Tabela 1).
Tabela 1. Características demográficas, prevalência de dor crônica na coluna e fatores biopsicossociais dos universitários. Fortaleza, Ceará, Brasil, 2022

n = frequência absoluta; % = percentual; DP = desvio padrão. SM = salário-mínimo.
Salário-mínimo em 2022 = R$ 1.212,00.
Tabela 2. Relação entre prevalência de dor cervical crônica e fatores biopsicossociais dos universitários. Fortaleza, Ceará, Brasil, 2022
n = frequência absoluta; % = percentual; OR = odds ratio. IC 95% = Intervalo de Confiança de 95%; *p < 0,05, obtido pelo teste do Qui-quadrado de Pearson; OR estimado por regressão logística binária simples.
Em relação à dor lombar, observou-se uma maior prevalência em adultos com menos de 25 anos (82,2%, n = 164). Contudo, não foram encontradas diferenças estatísticas em comparação àqueles que não apresentavam dor lombar. Da mesma forma, não se observaram diferenças significativas em relação à percepção de saúde, ao consumo de bebida alcoólica, ao uso de cigarro e à qualidade do sono (p > 0,05). Foi encontrada uma associação significativa entre a dor lombar e ser ativo fisicamente, bem como a suspeita de TMC (p < 0,05), em comparação àqueles que não apresentavam essas condições (Tabela 3).
Tabela 3. Relação entre prevalência de dor lombar crônica e fatores biopsicossociais dos universitários. Fortaleza, Ceará, Brasil, 2022
n = frequência absoluta; % = percentual; OR = odds ratio. IC 95% = Intervalo de Confiança de 95%; *p < 0,05 obtido pelo teste do Qui-quadrado de Pearson; OR estimado por regressão logística binária simples.
Ainda na análise bivariada, observou-se que a dor simultânea nas regiões cervical e lombar esteve significativamente associada ao sexo feminino (OR = 1,55; p = 0,042), autoavaliação de saúde ruim (OR = 1,56; p = 0,050) ser fisicamente ativo (OR = 1,90; p = 0,039), suspeita TMC (OR = 2,45; p = <0,001) e qualidade do sono ruim (OR = 1,86; p = 0,011) (Tabela 4).
Tabela 4. Relação entre prevalência de dor simultânea nas regiões cervical e lombar e fatores biopsicossociais dos universitários. Fortaleza, Ceará, Brasil, 2022

n = frequência absoluta; %= percentual; OR = odds ratio. IC95% = Intervalo de Confiança de 95%; *p < 0,05, obtido pelo teste do Qui-quadrado de Pearson; OR estimado por regressão logística binária simples.
Na análise de regressão logística múltipla para dor cervical crônica, observou-se que estudantes universitários do sexo feminino e com suspeita de TMC apresentaram duas vezes mais a ocorrência de dor cervical crônica (OR = 2,25 e OR = 2,38; p = <0,001, respectivamente). As demais variáveis analisadas, autoavaliação de saúde, consumo de álcool e qualidade do sono, não apresentaram associação significativa com o desfecho (p > 0,05). Para a dor lombar crônica, verificou-se que a suspeita de TMC se manteve associada ao desfecho (OR = 1,66; p = 0,038). Além disso, estudantes classificados como fisicamente ativos apresentaram maior prevalência de dor lombar crônica (OR = 2,08; p = 0,017). Sobre dor simultânea nas regiões cervical e lombar, ser fisicamente ativo mostrou associação significativa, indicando o dobro de chance de relatar dor cervical e lombar simultânea (OR = 2,04; p = 0,028). Além disso, a suspeita de TMC demonstrou forte associação (OR = 2,45; p = < 0,001), sugerindo um risco significativamente elevado para a ocorrência da dor concomitante (Tabela 5).
Tabela 5. Análise de regressão logística múltipla da dor cervical e dor lombar crônicas com os fatores biopsicossociais dos universitários. Fortaleza, Ceará, Brasil, 2022

OR = odds ratio. IC 95% = Intervalo de Confiança de 95%; *p < 0,05, regressão logística. Qualidade do modelo: cervical: Hosmer-Lemeshow = 0,355, R² de Nagelkerke = 0,162 e acurácia = 72,6%; lombar: Hosmer-Lemeshow = 0,919, R² de Nagelkerke = 0,058 e precisão de 58,4%.
4. Discussão
O presente estudo identificou elevada prevalência de dor crônica nas regiões cervical e lombar entre estudantes universitários, com maior frequência de dor cervical em comparação à lombar e ocorrência expressiva de dor multissítio. Observou-se associação entre dor cervical e sexo feminino, suspeita de transtorno mental comum e qualidade do sono ruim, enquanto a dor lombar esteve associada à suspeita de transtorno mental comum e ao nível de atividade física. Esses achados reforçam a influência de fatores biopsicossociais na experiência da dor musculoesquelética em adultos jovens no contexto acadêmico.
Nossos resultados corrobora as evidências descritas na literatura internacional. Estudos realizados no Brasil23 e em países como Itália24, Emirados Árabes Unidos25 e Polônia26 apontam para uma predominância dessa condição entre o sexo feminino, possivelmente devido a fatores estruturais, hormonais e emocionais, frequentemente mais prevalentes nessa população e considerados fatores de risco para o desenvolvimento de dor cervical4,25,26. Essa informação evidencia a necessidade de direcionamento de políticas e propostas de intervenções preventivas e de promoção da saúde prioritariamente entre as mulheres, considerando a dor crônica da coluna.
A prevalência de dor cervical crônica foi de 69,0%, enquanto a dor lombar crônica apresentou prevalência de 55,3%. Além disso, 44,1% dos universitários relataram dor simultânea nas regiões cervical e lombar, evidenciando elevada ocorrência de dor multissítio nessa população. Esses achados são consistentes com estudos que descrevem alta frequência de sintomas musculoesqueléticos em universitários, possivelmente atribuídos às demandas acadêmicas e aos hábitos comportamentais característicos desse grupo, como longos períodos em posição sentada e uso frequente de dispositivos eletrônicos27. A elevada proporção de dor concomitante nas duas regiões da coluna reforça a importância de abordagens em saúde que considerem a presença de múltiplos sítios dolorosos, em vez da análise isolada de cada região anatômica.
Estudos sugerem que a região cervical apresenta maior potencialidade para cronificação devido à complexidade anatômica e ao frequente envolvimento psicossocial associado, aumentando os riscos de persistência da dor e desenvolvimento de sintomas secundários, como cefaleias tensionais e alterações posturais compensatórias28. Outro aspecto importante evidenciado na literatura é que indivíduos com dor cervical têm uma maior probabilidade de apresentarem quadros multissítio, possivelmente devido às inter-relações biomecânicas entre diferentes regiões do corpo, agravando ainda mais o quadro álgico28. Em adição, a presença de dor cervical frequentemente coexiste com outras condições musculoesqueléticas e transtornos de saúde mental29.
Nesta perspectiva, evidenciou-se a associação significativa entre dor cervical, suspeita de TMC e qualidade do sono ruim. Essa interação complexa entre aspectos fisiológicos e psicossociais reforça achados anteriores, que apontam que indivíduos com TMC podem apresentar disfunções na regulação do sono e maior sensibilidade à dor. Simultaneamente, a má qualidade do sono pode intensificar tanto a dor quanto os sintomas psicoemocionais30–32.
No âmbito universitário, o estresse acadêmico, representado por demandas excessivas, prazos curtos e avaliações constantes, tem sido identificado como um fator relevante. Este quadro favorece alterações emocionais, como ansiedade e humor deprimido, que não apenas intensificam a percepção da dor, mas também contribuem para a piora da qualidade do sono, estabelecendo um ciclo de retroalimentação entre estresse, sono e dor33.
No que diz respeito à dor lombar, embora não tenha sido observada associação significativa com qualidade do sono ou sexo, verificou-se relação com a suspeita de TMC e com o nível de atividade física. Notou-se ainda maior intensidade de dor na região lombar, ainda que a percepção geral tenha sido moderada em ambas as localizações. Esses achados reiteram o papel dos fatores psicológicos na manutenção de dores musculoesqueléticas, mesmo em populações jovens e saudáveis34.
No presente estudo, universitários fisicamente ativos apresentaram maior chance desse desfecho, possivelmente em função de práticas inadequadas ou realizadas sem supervisão, o que pode ter gerado sobrecarga mecânica. Embora a atividade física seja reconhecida como benéfica à saúde musculoesquelética, sua relação com a dor lombar é complexa e pode seguir um padrão em U, no qual tanto baixos quanto altos níveis de atividade aumentam o risco de dor lombar crônica35. Assim, observa-se que tanto o sedentarismo quanto a prática excessiva e desregulada representam riscos à saúde da coluna36. Nesse sentido, a atividade física deve ser analisada não apenas em termos de frequência, mas também quanto à qualidade, intensidade e adequação às necessidades individuais37.
Diante dos achados, acredita-se que a presente pesquisa contribui de forma significativa para a compreensão da prevalência de dor na coluna cervical e lombar entre estudantes universitários, que evidenciou associações com fatores psicossociais como suspeita de TMC e nível de atividade física. Ao integrar múltiplos fatores de saúde, este estudo reforça a relevância de uma abordagem biopsicossocial na avaliação e manejo da dor musculoesquelética em populações jovens, frequentemente negligenciadas nas políticas públicas de saúde38. Além disso, os resultados obtidos podem subsidiar o desenvolvimento de estratégias institucionais voltadas à promoção da saúde mental e física no ambiente acadêmico, sinalizando a necessidade de programas de educação em saúde.
Ademais, são reconhecidas as limitações neste estudo, em relação a amostra, como coleta de dados em universitários apenas de duas áreas (saúde e tecnologia) e a não adaptabilidade de instrumentos para deficientes visuais, assim essas limitações dificultam a generalização dos resultados para a população estudada. A coleta por formulário eletrônico autoaplicável pode ter introduzido vieses de autorrelato, como possíveis erros de memória e interpretações distintas das perguntas. Contudo, os resultados deste estudo incentivam e contribuem para a discussão do tema.
5. Conclusão
Evidenciou-se que a dor crônica em regiões da coluna cervical, lombar e ocorrência de forma simultânea apresenta alta prevalência entre estudantes universitários, sendo mais expressiva na região cervical e com maior intensidade na região lombar. A presença de dor crônica na coluna esteve significativamente associada a fatores psicossociais, como suspeita de TMC na região lombar e cervical, além maior nível de atividade física na região lombar. Tais achados reforçam a complexidade multifatorial da dor, evidenciando a importância de abordagens integradas para sua prevenção e manejo.
O estudo destaca, ainda, a necessidade de atenção especial à saúde física e mental da população universitária. Assim, recomenda-se a implementação de ações de promoção à saúde no ambiente acadêmico, que envolvam suporte psicológico e estímulo à prática de atividade física adequada, com o intuito de reduzir a carga de morbidade associada às dores na coluna.
Contribuições dos autores
Os autores declararam ter feito contribuições substanciais ao trabalho em termos da concepção ou desenho da pesquisa; da aquisição, análise ou interpretação de dados para o trabalho; e da redação ou revisão crítica de conteúdo intelectual relevante. Todos os autores aprovaram a versão final a ser publicada e concordaram em assumir a responsabilidade pública por todos os aspectos do estudo.
Conflitos de interesses
Nenhum conflito financeiro, legal ou político envolvendo terceiros (governo, empresas e fundações privadas, etc.) foi declarado para nenhum aspecto do trabalho submetido (incluindo, mas não se limitando a subvenções e financiamentos, participação em conselho consultivo, desenho de estudo, preparação de manuscrito, análise estatística, etc.).
Indexadores
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